Quem gosta de vinho brasileiro e estuda um pouco mais a fundo o tema certamente já ouviu falar em ou leu algo escrito por Rogerio Dardeau. Jornalista, advogado, escritor, pesquisador: Rogerio é um banco de dados humano quando o assunto é vinho e vinícolas brasileiras. Degustando muito, viajando com frequência e conversando bastante com produtores e vinhateiros, está sempre bem informado sobre o que está acontecendo na viticultura brasileira.
Em setembro de 2025 emprestou seu nome a uma parreira em sistema Y, na novíssima vinícola Ribeiro Cader e filhos, em Itaguaí (RJ), e agora em janeiro de 2026, tem seu nome gravado em uma placa que identifica uma estrada. A estrada Rogerio Dardeau, em Vieiras (MG), na Zona da Mata Mineira, perpassa quatro dos seis projetos de produção de uvas e vinhos da região Vinho da Mata: Campo de Estrelas, vinícola Quattro, Quinta dos Marinheiros e Travessia.
Uma justa homenagem a um apaixonado pelo vinho, consultor informal e amigo de grande parte dos produtores do Brasil.
O texto abaixo foi escrito por Sissi Berne, co-fundadora das vinícolas Alto do Gavião, Campo de Estrelas e Raízes da Mata. Co-idealizadora da Região do Vinho da Mata, sócia fundadora da UVA-MG e futura enóloga.
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Uma estrada, muitos caminhos: Rogerio Dardeau e a construção do vinho brasileiro
por Sissi Berne *
A ideia de inaugurar a Estrada Rogerio Dardeau, em Vieiras, na Zona da Mata Mineira, foi mais do que nomear uma via. Nossa intenção foi reconhecer uma trajetória que ajudou — e continua ajudando — a abrir novos caminhos para o vinho brasileiro.
Escrevo a partir da minha própria experiência. Ao incluir nosso projeto ainda embrionário no primeiro volume de Gente, Lugares e Vinhos do Brasil, Dardeau ofereceu um incentivo concreto, um empurrão silencioso, quase um voto de confiança. Para quem está começando, isso muda tudo. Muda a forma como a gente se enxerga, como sustenta o sonho e como decide seguir adiante.
Vieiras é hoje um exemplo vivo dessa transformação. Em um cenário marcado por um belíssimo mar de morros e por uma tradição agrícola ligada ao café, ao leite e à piscicultura ornamental, a vitis vinifera era praticamente desconhecida até poucos anos. Atualmente, a região denominada Vinho da Mata abriga três vinícolas em operação e outras três em fase de implantação. “O vinho deixou de ser apenas uma aposta para se tornar parte do cotidiano e da paisagem, impactando também a vida dos que ali vivem e a economia local”, diz Daniel Maia, idealizador tanto da estrada quanto da região Vinho da Mata.
Essa capacidade de revelar novos lugares e novas pessoas é uma das marcas mais consistentes do trabalho de Rogerio Dardeau. Ao longo de sua trajetória como escritor, professor e pesquisador do vinho brasileiro, ele construiu uma narrativa que fala de gente, de cultura, de história e de pertencimento. Ao contar a história do vinho no Brasil, inclui quem planta, quem colhe, quem elabora, quem erra e quem insiste.
A estrada que agora leva seu nome tornou-se a principal via de acesso às vinícolas locais, conectando projetos distintos. Para mim, ela simboliza algo maior: o caminho que o vinho brasileiro vem trilhando, com mais identidade, mais consciência e mais coragem de assumir o que é.
Se hoje o vinho brasileiro conquista mais espaço, reconhecimento e passa a se afirmar como parte viva da nossa cultura, é porque existem pessoas que se dedicaram a conhecê-lo profundamente e a contá-lo com responsabilidade e generosidade.
A Estrada Rogerio Dardeau é, no fim das contas, isso: um caminho aberto, feito de conhecimento e coragem — valores que seguem inspirando novas regiões, novas pessoas e novas histórias no cenário vitivinícola nacional.

Em primeiro plano o grupo no dia do descerramento da placa da estrada Rogerio Dardeau: André Santos (Raízes da Mata), 1a fila da direita para a esquerda: Flavio de Castro – de boné (Campo de Estrelas), Luciana e Pedro Halbritter (Raízes da Mata e Quinta dos Marinheiros). Na 2a fila da esquerda para a direita: João Moraes – camiseta cinza (Raízes da Mata e Vinícola Quattro), Catia Santos (Floeno), Vanja Hertcert – com a taça na mão (arquiteta) e Rubens Sant’Anna Filho, Sarah Araújo – blusa estampada (Supervisora Agrícola Vinho da Mata). Na última fila: Luis Vasconcelos – braço levantado (Raízes da Mata e Vinícola Quattro), Sissi Berne (Alto do Gavião, Campo de Estrelas e Raízes da Mata), Rogerio Dardeau e Daniel Maia (Alto do Gavião, Campo de Estrelas, Raízes da Mata e Travessia)
* Sissi Berne, é co-fundadora das vinícolas Alto do Gavião, Campo de Estrelas e Raízes da Mata, co-idealizadora da Região do Vinho da Mata, sócia fundadora da UVA-MG e futura enóloga.
Fotos: arquivo pessoal Sissi Berne
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