Miolo conquista certificação Carbono Neutro

Miolo conquista certificação Carbono Neutro

A certificação resulta de um conjunto de práticas que já vinham sendo adotadas de forma integrada nas quatro unidades brasileiras do grupo — Miolo (Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS)), Seival (Campanha Meridional, em Candiota (RS)), Almadén (Campanha Central, em Santana do Livramento (RS)) e Terranova (Vale do São Francisco, em Casa Nova (BA)) (foto acima). “Acreditamos firmemente que o crescimento econômico sustentável só é possível quando alinhado a práticas sólidas de governança corporativa, ambiental e social”, destaca o Diretor Superintendente da Miolo Wine Group, Adriano Miolo.

A idealização do projeto foi uma iniciativa conjunta entre a Miolo Wine Group, o Grupo Modarc – Uniagro e a Sumitomo Chemical. O processo de consolidação dos dados, análises técnicas e aplicação das diretrizes foi conduzido pela E2Carbon, empresa especializada em projetos de carbono no setor agropecuário. O consultor Rafael Melo assegura que trabalho desenvolvido pela Miolo evidencia a força da vitivinicultura brasileira como modelo produtivo capaz de contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. “No fim, tudo se resume a um balanço. De um lado, as emissões. Do outro, as remoções. E é esse equilíbrio que define se uma empresa é carbono neutro, negativo ou não. No caso da Miolo, o resultado foi muito expressivo. O sistema produtivo e os vinhedos removem mais carbono do que a empresa emite”, observa.

Na prática

Entre as medidas que sustentam este desempenho estão o manejo responsável dos vinhedos (foto acima vinhedos da Seival, em Candiota (RS)), com uso de plantas de cobertura e fixação biológica de nitrogênio, redução do uso de insumos químicos, melhoria da eficiência operacional, monitoramento detalhado do consumo de combustíveis, energia e gases, uso de eletricidade de fonte renovável e preservação de áreas ambientais dentro das propriedades. Somado a isso, os vinhedos atuam como parte da solução ao capturar e armazenar carbono na biomassa das videiras.

Elaborado com base no ano de 2025 e seguindo as diretrizes do GHG Protocol, o inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) mostrou que as operações da empresa registraram 1.343,04 toneladas de CO₂e em emissões e 2.431,44 toneladas de CO₂e em remoções anuais, o que resultou em um saldo líquido negativo de 1.088,40 toneladas de CO₂e. Na prática, isso significa que, além de atingir a condição de Carbono Neutro, a MWG apresenta desempenho carbono negativo, ao remover mais carbono do que emite. Considerando o saldo líquido negativo de 1.048,40 de CO₂e por ano e que o grupo Miolo coloca 10 milhões de garrafas no mercado anualmente, cada garrafa representa uma captura de 108,84 g de CO₂e.

Em novembro de 2025, em matéria publicada aqui no Brasil de Vinhos, apresentamos o case da vinícola Guatambu, de Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha, que a partir do o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa das safras 2024/2025 passou a ostentar o título de vinícola Carbono Negativo.

Processo para a Certificação

O levantamento envolveu toda a cadeia produtiva, da produção da uva ao engarrafamento, contemplando as emissões diretas, indiretas e voluntárias. Foram analisados dados relacionados ao consumo de óleo diesel em tratores, gás utilizado em empilhadeiras e na cozinha, recargas de ar-condicionado, equipamentos de refrigeração, energia elétrica, fertilizantes, insumos e deslocamentos corporativos, entre outros. Ao mesmo tempo, foi calculada a capacidade de remoção de carbono dos vinhedos a partir da biomassa das videiras.

“Ao mensurar, reportar e gerir nossos impactos, reafirmamos nosso compromisso com a melhoria contínua de nossos processos produtivos e com a adoção de práticas que contribuam para a mitigação das mudanças climáticas”, reforça Miolo. “Seguiremos investindo em eficiência, governança e sustentabilidade, certos de que o futuro do vinho brasileiro passa pela responsabilidade ambiental e pela geração de valor duradouro para a sociedade”, afirma.

Nathaly Regina Marchetto Krindges, coordenadora de qualidade da Miolo Wine Group, assegura que o processo permitiu compreender de forma mais profunda a operação e identificar oportunidades concretas de evolução. “Começamos entendendo a fundo toda a operação da Miolo. Desde a vinícola até os vinhedos. Mapeamos tudo: energia, combustível, insumos”, detalha. A especialista relata que esse processo mostrou onde estão as principais emissões e, principalmente, onde estão as oportunidades de evoluir: “ficou muito claro o papel estratégico dos vinhedos nisso tudo. Não só como origem do vinho, mas como parte da solução”, ressalta.

Tudo se conecta

Alécio Demori, agrônomo da vinícola, explica que o trabalho começa no solo. “Atualmente trabalhamos com plantas de cobertura, fixação biológica de nitrogênio e redução do uso de insumos químicos. Isso melhora a saúde do solo e aumenta a quantidade de carbono que ele consegue reter. As próprias videiras também fazem parte desse processo, capturam carbono da atmosfera e armazenam ao longo do seu ciclo. Quando somamos tudo isso, o resultado é muito claro: retiramos mais carbono do que emitimos”, comemora.

O reconhecimento também fortalece a presença da marca no exterior. Para Lucio Motta, Export Manager da MWG, a certificação agrega credibilidade e antecipa uma demanda crescente dos mercados globais. “Essa certificação é extremamente importante para a internacionalização da Miolo, porque traz credibilidade e mostra que a marca está alinhada às principais tendências globais. No mercado internacional, isso facilita negociações com grandes redes e mercados mais exigentes, como Europa e Estados Unidos. E, olhando para frente, é ainda mais estratégico, porque muitos mercados devem passar a exigir esse tipo de certificação”, destaca.

 

Fotos: divulgação Miolo

Com informações da assessoria de imprensa

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