Uma rápida volta pela internet e descobrimos que como movimento global o Dry January – Janeiro Seco, por aqui – nasceu no Reino Unido em 2013, mas teve origem cinco anos antes, em Nova Iorque, a partir de uma pausa no álcool proposta por Frank Posillico que buscava perder peso. Na sequência aparece Emily Robinson, que treinava pra sua primeira meia maratona e tinha curiosidade em saber se deixar de lado o consumo de álcool melhoraria a performance esportiva.
Mas antes disso ainda, em 2006, John Ore, editor e vice-presidente de produtos no site Business Insider, concebeu o que chamou de Drynuary, como uma espécie de desafio pessoal.
O fato é que a campanha Dry January, lançada mundialmente há 12 anos pela Alcohol Change UK, tem atingido muita gente. De acordo com o site americano civicscience.com, por exemplo, em 2024 25% das pessoas pesquisadas por eles nos Estados Unidos não consumiram álcool no mês de janeiro.
Especializada em comportamento alimentar e pós-graduanda em nutrição esportiva funcional, a nutricionista Joana Rodrigues lembra: “a ideia da campanha não é demonizar o álcool”, pondera, “eu sempre falo pros meus pacientes que temos vida social e que muitas vezes o álcool está incluso nisso”, explica. “Vejo mais como uma pausa – parar esse mês e ver como o corpo reage”, reflete.
Não por acaso o movimento é organizado no mês famoso por ser logo após os ‘excessos’ cometidos por muitos durante as festas de final de ano. O grande número de eventos, celebrações e comemorações convida a um consumo às vezes descontrolado de comida e bebida.
“Não conheço nenhum estudo científico que diga que as pessoas que ficaram 30 dias sem beber têm X menos problemas ao longo de Y anos” argumenta Caroline Dani. “Se a pessoa deixar de beber durante um período, continuar comendo e se exercitando da mesma forma, vai ter um aporte calórico menor e assim vai perder peso”, explica a biomédica, que também é presidente da seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). Os dados mencionados por Caroline demonstram ainda que há uma melhora de pressão arterial: “mas isso é ocasionado pela perda de peso e não pela falta do álcool”, explica.
A especialista toca num ponto importante que é o da moderação: “me incomodam muito os excessos e as proibições. Não pode isso, não pode aquilo – o proibido muitas vezes traz uma compensação exagerada”, pondera.
A moderação e o equilíbrio ajudam a evitar isso: “que bom se tivéssemos a combinação do Dry January com o High Exercise, com o Low Carbohydrates, e com o Low Fat”, brinca, “se as pessoas fizessem esse combo, pra mim faria todo sentido. Mas não adianta só tirar o álcool sem pensar o quanto o exercício faz bem pra gente. Aqui no Brasil é um mês quente, perfeito pra aumentar o exercício físico, não?”
Em janeiro de 2024 o jornalista Mitch Frank, colunista da revista Wine Spectator, fez uma declaração interessante: “não sou fã do Janeiro Seco”, disse ele, “mas quem sabe do demi-seco”? Segundo Frank um dos grandes perigos da abstinência total é a sequência de consumo exagerado e sem controle, os exageros que Caroline Dani apontou acima.
O que o colunista diz, em outras palavras, é um pouco do que pensa Joana: “eu diria que a gente tem que colocar na balança, sabe? Se é realmente algo que faz bem, que está sendo feito com consciência, eu não vejo porque parar totalmente, não faz sentido para a pessoa”, argumenta a nutricionista, “mas se realmente está tendo um exagero, principalmente no final de ano, se sente que isso está impactando em outras áreas, daí talvez seja interessante ir diminuindo”.
Caroline Dani deixa uma reflexão para o final: “é importante parar e pensar o quanto faz bem pra tua vida”.
Foto: reprodução app Dry January
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