Um futuro de incertezas

Um futuro de incertezas

Enfrentando a pior tragédia de sua história, o Rio Grande do Sul ainda sofre com os desdobramentos das enchentes que afetam 461 dos 497 municípios. Diante da calamidade que o estado se encontra, o setor vitivinícola aguarda para entender a dimensão das perdas e do desafio que terá pela frente. Vinhedos destruídos, riscos de deslizamentos em propriedades, estradas e acessos internos bloqueados, cancelamentos de hospedagem em rotas do enoturismo e dificuldades de logística para entregas são alguns problemas que impactam os produtores em um primeiro momento. Na visão de analistas do mercado do vinho brasileiro, ainda não é possível compreender o impacto do desastre climático ou em quanto tempo o setor retornará à normalidade.

“A indústria do vinho ainda não está ciente do tamanho da tragédia, a extensão das consequências e a duração desse cenário”, explica Rodrigo Lanari, fundador da Winext. “Ainda é cedo para traçar conclusões em qualquer nível. À medida que o tempo passa, a situação fica mais grave. Não vejo ninguém com projeção otimista de normalizar rápido, todos falam que levarão mais tempo para voltar”.

Diego Bertolini, sócio fundador do grupo Venda Mais Vinho, diz que apenas quando os reflexos das cheias pararem será possível avaliar as perdas. “Ainda estamos debatendo o ponto principal que são as vidas, saúde e pessoas desaparecidas”, aponta. “Quando a água baixar, vamos começar a tratar dos dados do quanto isso vai afetar em vendas, no turismo e o quanto vai precisar de ajuda governamental disponibilizando recursos e medidas para reconstrução”.

Apesar da incerteza, as avaliações preliminares apontam um cenário de extrema dificuldade, devido a importância do Rio Grande do Sul como mercado produtor e consumidor. De acordo com dados da Ideal Consulting de 2022, o estado representa 17% das vendas de vinhos finos brasileiros e importados, atrás apenas de São Paulo no consumo.

Os especialistas concordam sobre a diferença do impacto a partir do tamanho da empresa. Vinícolas que produzem e vendem mais de 1 milhão de garrafas por ano, terão menor dificuldade devido à rede de distribuição de vendas mais ampla, por outro lado empresas com produção e venda até 1 milhão de garrafas, têm como característica a venda no local. Já as de pequeno porte, que produzem até 200 mil garrafas, dependem quase exclusivamente do turismo, e poderão ter muitas perdas em função das dificuldades de acesso na região e de adaptação para novos modelos de comercialização.

Os dois analistas consultados concordam em uma coisa: para os negócios seguirem operando, precisarão de muita ajuda do estado. Sem ações focadas na salvação das empresas e na reconstrução do que foi destruído, problemas sociais maiores como desemprego e redução do Produto Interno Bruto, podem agravar a situação.

“Se não houver um incentivo do governo para não demitir e gerar fluxo de caixa, medidas que vão mitigar essas perdas também econômicas, muitos estabelecimentos vão ter que fechar as portas”, sentencia Bertolini. “A curto prazo, o governo precisa dar estrutura para as empresas voltarem a atuar o mais rápido possível”, conclui.

Lanari destaca que as ações do poder público serão determinantes para salvar as empresas e retomar o turismo nesses locais. “A ajuda tem que vir com anistia, suspensão de impostos por um tempo e auxílio emergencial”, aponta. “Sem dúvida vai ter muito recurso para a reconstrução do que foi atingido e isso tem que atender as empresas também. Quem tem um negócio pequeno está no momento é de buscar todas as alternativas no âmbito assistencial que estão disponíveis”.

 Solidariedade que emociona

Em um cenário imprevisível e desafiador, ações e campanhas incentivando a compra de produtos do Rio Grande do Sul ganham adeptos de todo Brasil e até internacionais. Iniciativas como #comprevinhogaúcho demonstram a força e apoio mútuo do setor até nas piores tragédias enfrentadas.

“A união que está acontecendo é linda. Eu estava com um grupo de produtores de Portugal que organizaram vaquinha para ajudar, outros produtores, chilenos e argentinos, me encontram e perguntam como está a situação”, conta Bertolini. “E há várias campanhas que buscam ajudar quem foi atingido, seja doando ou comprando seus produtos. É uma sensibilização coletiva que impacta e emociona a todos”, completa.

Foto de topo: vinícola Speranza, em Bento Gonçalves

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