A crescente relevância da presença brasileira nas pautas da Organização Internacional da Vinha e do Vinho

A crescente relevância da presença brasileira nas pautas da Organização Internacional da Vinha e do Vinho

* Fernanda Spinelli

O Brasil vem consolidando, de forma cada vez mais evidente, sua relevância técnica e científica dentro da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). As recentes Reuniões de Primavera demonstraram não apenas a participação ativa do país nas discussões internacionais, mas também o protagonismo brasileiro na coordenação de documentos estratégicos, na apresentação da certificação eletrônica, no avanço de métodos analíticos e na ampliação do olhar da OIV para novos produtos derivados da uva.

Entre os destaques, merece atenção a atuação brasileira na subcomissão SCRAISIN e no grupo CONUSA, com a apresentação do documento de expertise coletiva “Grape Juice X Health”, coordenado pelo Brasil com suporte do secretariado da OIV. O trabalho representa um importante reconhecimento internacional da relevância científica e nutricional do suco de uva, além de reforçar a crescente inserção dos produtos não alcoólicos da videira dentro das discussões da organização. O documento deverá ser publicado oficialmente pela OIV, marcando um momento significativo para o setor brasileiro.

Também foi ponto alto a apresentação do sistema digital para importação de vinhos no grupo TRADE, com tema voltado à certificação eletrônica internacional de vinhos e bebidas, demonstrando o envolvimento do país em pautas regulatórias e de comércio internacional cada vez mais estratégicas para a competitividade global do setor, um trabalho do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Outro tema que evidencia a capacidade de articulação técnica do Brasil é o documento de expertise coletiva sobre Biodinâmica, que passa agora a agregar especialistas de diversos países. A iniciativa demonstra como o país vem contribuindo em pautas contemporâneas ligadas à sustentabilidade, práticas agrícolas e modelos alternativos de produção vitivinícola.

Na área de métodos de análise, os avanços também foram expressivos. O método para determinação de etanol em suco de uva, suco reconstituído, suco concentrado e néctar de uva avançou para a etapa 7, restando aprovação em Assembleia Geral em outubro de 2026. Já o método para determinação de ácido sórbico e benzoico por cromatografia líquida de alta eficiência segue evoluindo tecnicamente.

As discussões da Subcomissão de Métodos de Análise – SCMA, a qual atualmente tenho o prazer de presidir – também deixaram claro que a OIV vive um momento de transformação importante. Observa-se uma ampliação crescente do escopo analítico para além do vinho, incorporando de forma cada vez mais consistente o suco de uva e derivados não alcoólicos. Trata-se de uma mudança relevante no posicionamento institucional do setor vitivinícola internacional, refletindo novas demandas de mercado, saúde e consumo.

Outro ponto particularmente interessante foi a emergência de novos eixos, como sustentabilidade analítica, boas práticas regulatórias, métodos sem preparo de amostra e temas cada vez mais transversais, envolvendo a parte científica da organização como um todo.

O cenário atual evidencia que a participação brasileira na OIV não é apenas protocolar. O Brasil atua como agente técnico relevante, contribuindo ativamente para construção de documentos, harmonização de métodos e discussão de tendências que deverão moldar o futuro da vitivinicultura internacional.

E esse movimento de aproximação entre o Brasil e a comunidade internacional do vinho pode ganhar ainda mais força nos próximos meses. Existe uma expectativa bastante positiva de que a atual presidente da OIV, Yvette van der Merwe, participe de um importante evento brasileiro ainda este ano, o que comprova o reconhecimento internacional que o país vem conquistando dentro da OIV e no cenário vitivinícola mundial.

Não posso deixar de destacar também um detalhe extremamente simbólico e motivo de grande orgulho para o Brasil: os sucos de uva brasileiros estiveram presentes e foram servidos em diferentes momentos.

*presidente da subcomissão de métodos de análises e delegada científica brasileira de Enologia na OIV

Foto: arquivo pessoal Fernanda Spinelli, na foto de topo, a terceira da esquerda para a direita

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