O título da matéria está em inglês mesmo, porque catorze rótulos brasileiros foram apresentados em Londres, por Dirceu Vianna Junior MW, único Master of Wine brasileiro, a uma plateia de distribuidores, importadores, sommeliers e compradores de grandes redes da Europa. O tema proposto por Vianna foi Roots and Renaissance, the new era of brazilian wines – algo como Raízes e Renascimento, a nova era dos vinhos brasileiros. O encontro – realizado no 67 Pall Mall, uma exclusiva rede internacional de clubes privados com foco em vinhos, ambiente de grandes degustações, fundada em Londres em 2015 e que tem diversos endereços pelo mundo – foi promovido pela Embaixada do Brasil em Londres.
A escolha de Dirceu Vianna Junior MW (foto abaixo) para conduzir a masterclass não foi casual. O único Master of Wine brasileiro — a mais rigorosa certificação do setor, com apenas 422 no mundo — empresta à degustação um peso técnico e uma credibilidade que o mercado britânico reconhece. É a terceira vez que Dirceu conduz essa degustação em Londres, a primeira foi em 2014.

“A partir desse tema iniciei a prova oferecendo um contexto histórico desde quando foram plantadas as primeiras vinhas no Brasil, em 1532”, explica Vianna, “falei das diversas fases da evolução até culminar com a apresentação de vinhos dos novos terroirs do país, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal”.

Os 14 rótulos degustados
Espumantes
Nero Brut Cult – Casa Valduga – Vale dos Vinhedos (RS)
Extra Brut Pinto Bandeira 36 meses – Aurora – Pinto Bandeira (RS)
Terroir Nature 2019 – Cave Geisse – Pinto Bandeira (RS)
Vintage Moscatel Blended – Casa Perini – Farroupilha (RS)
Brancos
Semillon IGVV 2024 – Pizzato – Vale dos Vinhedos (RS)
Viognier Oak Barrel 2025 – Amitié – Serra Gaúcha (RS)
Tintos
Pinot Noir Campanha 2024 – Miolo – Campanha Gaúcha (RS)
Marselan Superiore 2024 – Triacca – Brasília (DF)
Agnus Tannat – Lídio Carraro – Encruzilhada do Sul (RS)
Documento Blend D.O.V.V Tinto – Dom Candido – Vale dos Vinhedos (RS)
Syrah Gran Reserva Hera 2022 – Maria Maria – Serra da Mantiqueira (MG)
Vista do Chá Syrah 2020 – Guaspari – Espírito Santo do Pinhal (SP)
DNA99 Merlot 2022 – Pizzato – Vale dos Vinhedos (RS)
Microlote Cabernet Sauvignon 2021 – UVVA – Mucugê (BA)

Os destaques da prova
“O ponto alto da degustação não foi um rótulo em particular — foi quem estava na plateia”, assegura Virgílio Pereira Guimarães. O gerente de promoções da Embaixada Brasileira em Londres afirma que pela primeira vez desde que as masterclasses foram retomadas depois da pandemia, representantes do Waitrose — considerado o supermercado de melhor qualidade do Reino Unido — e do Sainsbury’s estiveram presentes. “Eu tenho tentado trazê-los em todos os eventos e nunca vinham. O fato de terem vindo desta vez é muito positivo”, comemora.
“No meu modo de ver a prova foi um grande sucesso”, assegura Dirceu Vianna Junior, “as pessoas saíram impressionadas com a diversidade dos vinhos brasileiros”, resume o MW.
Vírgilio relata que a reação da plateia foi de surpresa com a qualidade dos vinhos: “eles não tinham muita noção da produção brasileira”, conta. A presença dos compradores, segundo Virgílio, se dá também pelo crescente interesse mundial pelo vinho produzido em nosso país, em especial com a recente publicação do Tim Atkin Brazil Special Report 2026, apresentado em março deste ano.
O representante da Embaixada explica que os rótulos degustados foram sugeridos pelo programa Wines of Brazil, que fez o meio campo entre as vinícolas e a organização do evento: “além disso eu já tinha alguns contatos, e assim fomos montando o flight”, completa.
O gargalo que persiste: preco, escala e presenca
Para Virgílio a qualidade dos vinhos brasileiros não é mais uma surpresa — é uma constatação. O desafio, como ele repete com a paciência de quem já explicou isso muitas vezes, é outro: o preço. “Aqui na Inglaterra tu tens vinhos de todo o mundo por menos de dez libras. Um Chateauneuf-du-Pape por 17 libras no supermercado, por exemplo. E os vinhos brasileiros entram muito caros.”
As causas são bem conhecidas no setor: custo de produção elevado, escala ainda pequena para a maioria das vinícolas e dificuldade de entrar nas grandes redes de varejo. “Já houve supermercados que venderam vinho brasileiro, mas não obtiveram os números que queriam e pararam de importar”, recorda. A exceção, segundo ele, são os grandes grupos com capacidade exportadora consolidada.
A London Wine Fair
Um dos recados mais diretos de Virgílio após a degustação é endereçado às próprias vinícolas brasileiras: a London Wine Fair — a maior feira de vinhos do Reino Unido, ainda relevante apesar de ter perdido espaço para a Prowein, na Alemanha — precisa voltar a ter presença brasileira expressiva. “Eu sempre digo para as vinícolas: venham para a Europa, aproveitem que já estão aqui e venham também para Londres. As datas não são muito diferentes.”
O apelo inclui o Wines from Brazil: “por que Londres ficou fora do roteiro das feiras das quais o programa participou?”, questiona Virgílio, “o Reino Unido segue sendo o principal mercado europeu”, resume.
London Wine Fair: taí mais um carimbo para estar no passaporte das vinícolas brasileiras em 2027.
Fotos: arquivo pessoal Dirceu Vianna Junior MW e Virgílio Pereira Guimarães
As matérias publicadas em nosso site podem ser reproduzidas parcialmente, desde que constando o crédito para Brasil de Vinhos e publicando junto o link original da reportagem.
Os artigos assinados não refletem a opinião dos sócios do Brasil de Vinhos. Se quiseres sugerir um artigo ou uma reportagem, escreve para [email protected]
Para nos prestigiar e manter o Brasil de Vinhos atuando, assina nosso conteúdo exclusivo no feed do instagram.
Para anunciar, escreve para [email protected] e fala conosco.


