A feira das pequenas vinícolas, da união, dos negócios e dos encontros. Um resumo simples, sucinto e direto dos três dias da Wine South America, uma das principais feiras de vinhos para o mercado da bebida produzida no Brasil. Se o volume de pessoas circulando pelos corredores da Fundaparque pareceu menor apesar da divulgação de 7 mil visitantes – exatamente o mesmo número da edição 2025 – por outro foi praticamente unânime ouvir dos produtores que a abordagem dos compradores estava mais assertiva: “quem veio fazer negócio já sabia o que queria, e nós que recebemos estas pessoas sabíamos o que eles estavam buscando”, afirmou Pedro Candelária (foto abaixo, ao lado da esposa e sócia Manuela Ayub), da vinícola Campos de Cima, de Itaqui (RS), quase na fronteira com a Argentina.


Pedro, assim como Gabriela Potter, da Guatambu, que fica em Dom Pedrito (RS), também na Campanha Gaúcha, foi um dos produtores visitados por Nicholas Corfe (ao lado de Gabriela, na foto acima), da Go Brazil Wines, importador inglês que só trabalha com vinhos brasileiros. “Ele passou no estande, degustou diversos vinhos e se mostrou bastante interessado”, contou a produtora.

Assim como os compradores do fora, havia muitos de diversos estados brasileiros, que segundo a opinião dos produtores com os quais conversamos, neste ano pareciam muito focados no que estavam procurando: “participamos de rodadas de negócios com interessados de estados como Natal, Bahia, Ceará e Espírito Santo”, disse Fran Muraro (foto acima), “pessoas que depois vieram ao estande conhecer mais e provar outros rótulos”, detalhou a sócia da Casa Eva Vinhos, de Flores da Cunha (RS), opinião compartilhada por produtores como Guilherme Menezes, da Sotterrani, de Bento Gonçalves (RS), e Gilson Berselli (foto abaixo), da Intento Vinhos, de Monte Belo do Sul (SC): “parecia que neste ano os compradores tinham mais conhecimento do produto”, avalia Gilson.

André Valduga (foto abaixo), presente pela primeira vez com a Otto Vinhos e Espumantes, de Bento Gonçalves (RS), estava otimista com as negociações com as quais se envolveu: “todos muito interessados, penso que tivemos reais possibilidades e vamos efetivar negócios”, comemora.

Períodos de feira costumam ser muito intensos – seja nos pavilhões ou fora deles. Muitas vinícolas, estabelecimentos e associações aproveitam este tempo com a presença de públicos diversos para estreitar laços e facilitar negociações futuras. Este foi o caso da Associação de Produtores de Faria Lemos, que reuniu um grupo de lojistas, representantes e compradores durante uma das noites: “é mais uma oportunidade de nos aproximarmos de quem compra e vende nosso vinho”, afirmou Anderson Buffon, enólogo e um dos proprietários da vinícola Buffon, de Bento Gonçalves (RS).
A Aprolemos, assim como a Associação de Produtores do Vale dos Vinhedos, a Associação de Produtores de Vinhos de Farroupilha, a Associação Vinhos da Campanha Gaúcha, os Vinhos de Monte Belo do Sul, a Associação de Produtores de Espumante de Garibaldi, a Altos de Pinto Bandeira, os Vinhos de Altitude, os Vales da Uva Goethe e a Vinícola Brasília, com suas marcas, foram alguns exemplos de associações presentes em estandes coletivos, além de iniciativas como áreas específicas para pequenos produtores de vinhos gaúchos, formas de mostrar que sim, a união faz a força.
E essa união coletiva repercute em negócios: quando uma região cresce, todos ganham – a economia, o turismo, a população, a qualidade de vida.
O fato é que sim, uma boa parcela dos expositores julgou que havia menos ‘passantes’ – os corredores estavam mais largos e com isso a circulação facilitada – e mais lojistas qualificados, o que certamente refletiu nos dados de negócios divulgados pela organização da feira: cerca de R$ 120 milhões, com um crescimento aproximado de 20% em relação a edição de 2025. Mas é importante salientar que estes são dados aproximados que não podem ser medidos com exatidão durante a feira, mas que certamente seguem reverberando e crescendo com o passar do tempo.
Fotos: Brasil de Vinhos | Lucia Porto
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