A cada ano que passa Brasília se solidifica como um polo da vitivinicultura brasileira. Já há mais de 60 projetos em funcionamento ou em fase de implantação na região, vinhedos produtivos e novas áreas sendo implantadas. Mas por enquanto a elaboração dos vinhos se concentra na estrutura da vinícola Brasília – empresa formada por dez marcas da região: Casa Vitor, Ercoara, Horus, Marchese, Miro, Monte Alvor, Oma Sena, Alto Cerrado, Villa Triacca e Vista da Mata – ou em estruturas de vinificação próximas, como a vinícola Assunção, em Pirenópolis (GO), utilizada por alguns produtores de Brasília e Goiás.

Certamente este é um dos grandes motivos que originaram a Expovitis Brasil – em sua terceira edição neste ano – com a participação de 108 vinícolas de diferentes regiões do país e grande presença de público percorrendo os cinco pavilhões do parque Ivaldo Cenci, no PAD-DF, durante três dias.

“Faço uma avaliação muito positiva do evento”, diz Marcelo Petroli (foto acima). O enólogo da vinícola UVVA, de Mucugê (BA), esteve na Expovitis Brasil nos dois primeiros dias: “é uma feira que está consolidada, com mais de 100 vinícolas representando o Brasil de ponta a ponta. Vinícolas grandes, médias e pequenas, projetos novos que estão surgindo, todos conectados, todos juntos”, explana. Marcelo assegura que quem ganha com isso é o consumidor: “e nós podemos fazer parte também, é um grande momento, um grande privilégio estarmos ali falando um pouco do nosso terroir da Chapada Diamantina”, diz.

Neste ano os organizadores da feira programaram diversos eventos no turno da tarde, otimizando a participação dos produtores nas palestras dirigidas aos profissionais do setor e do público em geral, que lotou praticamente todas as degustações organizadas (foto acima, degustação conduzida pela sommelière Deisi da Costa). Além disso a feira teve um espaço dedicado especialmente a rodadas de negócios, encontros previamente agendados entre compradores – mercados, enotecas, restaurantes – e representantes das vinícolas participantes da Expovitis Brasil.
Realizada primeira vez, a rodada ainda tem algumas arestas a aparar, como ajustes de agenda de encontros e sinalização das mesas, por exemplo, mas certamente foi um dos pontos altos da feira. “Na próxima edição vamos também realizar rodadas de negócios além do mercado interno em parceria com a APEX”, diz Mara Flora, da comissão de organização da Expovitis, “vamos buscar quem tem condições de exportar e aproximar de quem quer levar vinho brasileiro para fora do Brasil, divulgando o vinho e o Enoturismo brasileiro para o exterior”.

Iuri Cozaco (foto acima, ao lado da esposa Leila), estreante na feira e em rodadas de negócios com a vinhedo Citrino, também aproveitou o momento para deixar as portas abertas: “fizemos alguns contatos e deixamos a conclusão dessa negociação para nossa representante em Brasília”, diz o produtor da vinícola localizada em Cristalina (GO). Rubens Curado, também expondo pela primeira vez com a Casa Curado, de Anápolis (GO), aprovou o evento e gostou muito da participação do público: “muito boa a feira, foi muito organizada e tivemos vendas significativas”, comemora. Já Juliano Zottis (foto abaixo), da Casa Zottis, de Bento Gonçalves (RS), traz pontos positivos e negativos: “Ponto alto é que conseguimos ter vários contatos, o que me possibilitou convidar a todos para nos visitar no Vale dos Vinhedos, mas faltaram vários empresários que estavam agendados comigo. Apesar disso consegui trocar ideias com os que estavam presentes, acredito que vai fluir algo”, afirma.

Moisés Brandelli pontua que o espaço destinado aos negócios foi bom também para reencontrar clientes e trazer a marca à lembrança de quem compra: “para a Don Laurindo foi boa a rodada de negócios, eu conhecia vários que estavam lá dentro, já eram meus clientes, conversamos e eles me indicaram outros contatos”, diz o enólogo da vinícola de Garibaldi (RS).
Também de Garibaldi (RS), Talita Verzeletti (foto abaixo) aponta ajustes a serem feitos, mas deixa Brasília com uma boa expectativa: “a rodada de negócios precisa mais maturidade e com isso organização, mas trouxe ótimos contatos”, exclama a enóloga da Courmayeur Domaine.
Jean Paulo Raimondi, da Área 15, de Bento Gonçalves (RS) é mais crítico com relação à rodada de negócios: “foi o primeiro ano, então precisam aprender bastante. Estava muito bagunçado, quiseram encaixar as vinícolas pela falta de compradores e acabaram atropelando todos os horários, virou uma bagunça”, declara. Além disso, diz ele, “as vinícolas passaram a sentar em todas as mesas que quiseram, respeitando o momento vago – o que por um lado foi bom, apesar da confusão”. Raimondi esclarece ainda que como as mesas não eram numeradas, a localização das conversas ficou um pouco dificultada. “E o pior ponto foi ser no mesmo horário da feira, com isso alguns estandes ficaram fechados até o término das rodadas, pois nem todas as vinícolas estavam com pelo menos duas pessoas no evento”, constata.

A presença de público e a venda de vinhos direto para o consumidor final agradou a muitos produtores. Diversas vinícolas venderam todo (ou quase todo) produto que tinham em exposição – em média 10 caixas, 60 garrafas. Algumas, como a Manus, de Encruzilhada do Sul (RS), venderam até o que não tinham, tirando pedidos a serem enviados posteriormente.
Graziela Boscato, da Caetano Vicentino, de Nova Pádua (RS), gostou de participar, embora tenha achado a quinta-feira bem fraca comercialmente: “no meu ponto de vista não sei se vale a pena começar na quinta”, confessa. Sobre as vendas, voltou para o Rio Grande do Sul apenas com algumas garrafas de rosé, o restante foi todo comercializado no local. “Estabeleci alguns contatos. A rodada de negócios foi boa apesar de não estar muito bem organizada. Penso que faltou um microfone para avisar que 15 minutos haviam passado e uma nova reunião aconteceria”, sugere.
O sábado, último dia da feira, também foi destaque para Alana Foresti, da vinhos Foresti, de Pinto Bandeira (RS): “superou as expectativas de público. Vendi quase tudo que levei, e neste ano vendi inclusive muito mais vinhos de valor agregado”, comemora. Mas a rodada de negócios, na opinião da enóloga também teve problemas: “achei que faltou confirmar a presença dos compradores e uma maior rigidez nos horários, que não foram cumpridos”, reflete.
“Achamos a feira muito boa. São dias bem diferentes, considerando que o maior movimento, principalmente de consumidor final se concentrou no último dia”, reforça Talita, da Courmayeur. O sábado também foi destaque para a Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves (RS): “público alto padrão, e pra nós, sucesso no Millésime, Laranja e Sur Lie Rose”, comemora o sommelier Marcelo dos Santos, que complementa salientando como muito positiva a possibilidade de conhecer produtores, não só da região de Brasília, mas de vários terroirs: “muita gente de Santa Catarina, alguma coisa da Campanha, da Serra Gaúcha. Então acho que foi uma diversidade muito interessante quanto a vinhos nacionais”, reflete.
A Expovitis Brasil 2027 já tem data: será realizada entre os dias 24 e 26 de junho.
O Brasil de Vinhos viajou para Brasília a convite da Expovitis Brasil 2026
Fotos: Brasil de Vinhos | Lucia Porto
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