As cinco faces da Casa Eva

As cinco faces da Casa Eva

Primeira parada da nossa viagem pela região dos Altos Montes foi na Casa Eva, um local que mistura história, empreendedorismo, gastronomia, família, cumplicidade, diversão e, claro, vinho.

E com o perdão – e espero, a permissão da musa Rita Lee – cometi um trocadilho no título: as gurias merecem…

As cinco faces da Casa Eva

Quem tem interesse em vinho brasileiro e está nas redes sociais certamente já topou com alguma publicação da Casa Eva ou sobre a Casa Eva. Também pudera: as gurias fazem tudo certinho. A vinícola, propriedade de cinco mulheres – quatro irmãs e a mãe – tem algumas curiosidades: pra começar esclarecemos que nenhuma delas tem o nome de Eva. “Foi um nome que escolhemos para valorizar a força feminina”, diz uma delas, enquanto simultaneamente apresenta o novo espaço enoturístico, recebe um grupo de arquitetos, serve mesas, conduz uma degustação e ajeita o cabelo pra selfie solicitado por um visitante. Sim, escrevi isso mesmo: diz uma delas, porque é impossível ter certeza de quem disse o quê quando três das cinco ‘Evas’ estão presentes no mesmo recinto e falando quase que ao mesmo tempo.

Apesar disso todas têm suas funções bem definidas. Comecemos então pelas três que estão juntas na foto de topo, nessa ordem: Fran, a farmacêutica, é responsável pelos vinhos, o contato com o agrônomo, o enólogo, as provas de tanques e barricas as degustações para visitantes e ainda toca o administrativo e o financeiro com mão de ferro. Ale, jornalista, é responsável pela comunicação e muito do dia a dia na vinícola, que desde final de janeiro de 2026, quando passou a contar também com um caprichado winebar, tem ocupado muito dos seus dias. Mas atualmente quem tem sido mais procurada é a arquiteta Marcele, responsável pela concepção do projeto arquitetônico que tão bem valorizou a casa dos anos 40 que já pertencia à família. “Minha preocupação maior foi manter a identidade da construção original, e ao mesmo tempo deixar com a nossa cara”.

E pelo visto, conseguiu.

O original da década de 1940 pode ser visto no piso de madeira, nas grandes aberturas, nas paredes sólidas e no porão que deu lugar à cave de barricas e sala de degustação – que em breve ganhará uma placa identificando a ‘Cave Alberto’, em homenagem ao marido de Maria e pai do quarteto (aliás, reparem no destaque todo especial da letra A no logo da Casa Eva…).

O estilo das ‘gurias’ pode ser visto em tudo. Se os rótulos dos vinhos já impressionam pela beleza gráfica, pela sutileza e riqueza de detalhes, pensem nisso ampliado: a ousadia das listras na área externa, também presentes no fundo do balcão do winebar, tem continuidade na bandeja – peça da linha ‘Home’ da marca, simultaneamente apresentada ao mercado. O estilo das irmãs pode ser visto também na delicadeza do Toile de Jouy, um estilo de estamparia francesa decorativa clássica, um papel de parede que originalmente reproduz cenas bucólicas ou pastoris, geralmente em apenas uma cor e seus vários tons, caiu como uma luva no projeto, aqui adaptado e ilustrado com a linda arte que orna todo o material gráfico da vinícola.

Das filhas ficou faltando ouvir também Karine, a irmã que mora no Rio de Janeiro, e é uma das responsáveis pela parte comercial da vinícola.

Ah, claro, os vinhos. Os 2,5 hectares de vinhedos da vinícola hoje são cultivados com as variedades Marselan, Cabernet Franc, Alvarinho e Chardonnay: “em breve deveremos implantar 2 hectares de Pinot Noir”, diz Fran, apontando para uma área atrás do winebar. Em 2021 quando lançaram a marca produziam apenas espumantes, e talvez não pensassem que cinco anos depois estariam prevendo uma safra que rendesse cerca de 40 mil garrafas.

E tudo isso com a benção de Maria, a quinta mulher citada no início deste texto. Foi da casa da mãe que as filhas trouxeram emprestadas louças, cristais, talheres, poltronas e lustres – e o busto de Eva, estrategicamente bem posicionado, como que controlando tudo – para que as filhas pudessem começar a brincadeira de gente grande.

 

Saiba mais sobre a região acompanhando nossa cobertura no feed do instagram e no destaque safra2026 e nas matérias abaixo:

Flores da Cunha em busca do título de Capital Nacional da Vindima

Terça-feira – Mioranza

Quarta-feira – Bebber

Quinta-feira – Cave de Angelina

Sexta-feira – Família Ulian

O Brasil de Vinhos viajou para a região a convite da Associação dos Produtores de Vinhos dos Altos Montes

Fotos: Lucia Porto | Brasil de Vinhos

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