“O principal desafio é diminuir os problemas e prejuízos causados por herbicidas de efeito hormonal”

“O principal desafio é diminuir os problemas e prejuízos causados por herbicidas de efeito hormonal”

A frase é de Bruno Terres Onsi, sócio da Vinuta, vinícola localizada em Veranópolis (RS) e com vinhedos em Candiota (RS), novo presidente da Associação Vinhos da Campanha Gaúcha. Onsi foi eleito por aclamação e tomou posse em assembleia realizada nesta quinta-feira (6 de agosto), em Dom Pedrito (RS). Onsi, que assume no lugar de Rosana Wagner, da vinícola Cordilheira de Santana, terá como vice-presidente Gabriela Pötter, da Guatambu, e como tesoureiro Marcos Obrakat, da Pueblo Pampeiro.

Nova diretoria tem membros de três diferentes municípios

Enólogo formado pelo Instituto Federal de Bento Gonçalves e especialista em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul, Bruno Terres Onsi trabalhou com assessoria técnica para a indústria de bebidas por 14 anos, acompanhando mais de 50 empresas da área, desde a criação de novos projetos, passando pela organização da produção e controle de qualidade até o desenvolvimento de novos produtos. Atualmente é enólogo e diretor da Vinuta Vino Atelier, que tem vinhedos em Candiota (RS) e São Francisco de Paula (RS), além parceiros em Monte Belo do Sul (RS). Neste ano também estão sendo implantados vinhedos em Veranópolis (RS), onde fica a sede da vinícola.

Gabriela Pötter, engenheira agrônoma e enóloga, é fundadora, sócia-proprietária e diretora-técnica da vinícola Guatambu e desde 2020 faz parte do Comitê Técnico da Indicação de Procedência (IP) da Campanha Gaúcha.

Marcos Obrakat é engenheiro agrônomo, empresário, produtor rural e sócio-proprietário da vinícola Pueblo Pampeiro, projeto que une vitivinicultura, pecuária e turismo de experiência na fronteira Brasil–Uruguai.

Desafios e oportunidades para a Campanha Gaúcha

A Campanha Gaúcha, uma das maiores regiões produtoras de vinho do Brasil, com pouco mais de 44 mil k2 de extensão territorial, é formada por 14 munícipios, em uma grande área que faz fronteira ainda com Uruguai e Argentina (foto acima vinhedos da Bodega Sossego, em Uruguaiana). Desde 2020 os produtores da região que estiverem de acordo com as especificações técnicas e passarem pela aprovação do Conselho Regulador podem ostentar em seus rótulos o selo de Indicação de Procedência Campanha Gaúcha.

Se por um lado a região vem se destacando na produção de vinhos nos últimos anos, sendo apontada por muitos como polo de alguns dos melhores vinhos tintos brasileiros, por outro os produtores sofrem com diferentes questões.  Entre elas estão as dificuldades de acesso e hospedagem, distância da capital gaúcha – considerando Dom Pedrito cerca de 400 quilômetros – e dos principais aeroportos – Porto Alegre, Santa Maria, 263 quilômetros, e Pelotas, 357 quilômetros – e talvez o mais grave deles, a deriva do herbicida hormonal aplicado pelos produtores de soja nos campos antes do plantio do grão. O produto comercializado livremente e muito utilizado para eliminar a erva daninha conhecida como buva pode ser transportado pelo vento por até 30 quilômetros – e com isso dizimar diversas outras culturas, entre elas a uva.

Esta é uma das muitas preocupações do novo presidente da Associação Vinhos da Campanha Gaúcha, que já assume pensando que este será seu principal desafio. Confira abaixo algumas das iniciativa de Bruno Onsi para os próximos dois anos.

O que pretende fazer pelas vinícolas da região?

A intenção é fortalecer a voz das vinícolas da região diante das dificuldades enfrentadas. Hoje, perante minha visão, o principal desafio é diminuir os problemas e prejuízos causados por herbicidas de efeito hormonal.

Quais você acha que serão os principais desafios?

Hoje a região poderia listar uma série de desafios como o difícil acesso aeroportuário em vista do fluxo turístico, alto impacto dos valores de frete e transporte de mercadorias em função das distâncias e o elevado valor do diesel na região, inerente à operação das empresas. Porém nenhum tem condições tão destrutivas ou desoladoras como os recorrentes problemas causados por deriva de herbicidas. Principalmente neste momento, com a popularização da aplicação de herbicidas por drones.

A busca pela Denominação de Origem está entre as suas demandas iniciais?

Certamente, sendo que já é um projeto em andamento dentro da Associação e tem amparo técnico científico perante todas as características edafoclimáticas da região, além da nítida aptidão natural da Campanha para vinhos tintos.

Quais são as principais oportunidades para as vinícolas da região?

As oportunidades são muito boas: relativamente baixo valor ou custo do hectare na região, além de boa disponibilidade de mão de obra não qualificada (preparo interno das pessoas).

 

Fotos: Bruno Onsi e Marcos Obrakat, arquivo pessoal, divulgação Bodega Sossego e Brasil de Vinhos | Lucia Porto

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