Um vinhedo de apenas três hectares, plantado em 1983 no coração do Semiárido pernambucano, está prestes a completar 105 safras, um número que nenhuma outra videira de vinhos finos no Brasil alcançou até hoje. Para celebrar a marca, a Vinhos Garziera chega à segunda edição do evento O Legado em 100 Safras, marcado para 26 de setembro, das 9h30 às 15h, na sede da Verano Brasil, em Santa Maria da Boa Vista (PE). Pela primeira vez o evento será aberto ao público.
O parreiral de Cabernet Sauvignon segue com vigor e uma produtividade que impressiona quem visita o local. “É um vinhedo em latada, como a maioria dos vinhedos aqui do Nordeste, em função da insolação ser muito alta”, diz Rodrigo Fabian, “a latada ajuda a proteger da grande quantidade de sol que nos diferencia do resto do mundo. Falar em vinhedo de qualidade em latada é quase uma abominação, isso não é visto com bons olhos, mas no Nordeste essa é a realidade”, explica o sócio-diretor e enólogo da Verano Brasil.
Rodrigo explica que a produtividade se mantém entre 6 e 8 toneladas por hectare, numa média de duas safras e meia por ano: “em alguns anos chegamos a ter três safras”, pondera. Foi assim, colheita após colheita desde 1983, que essas videiras chegaram à sua 105ª safra, um ritmo que nenhuma região de clima temperado conseguiria acompanhar.
“A gente já está na centésima quinta safra. No rótulo comemorativo é que colocamos vinhedo de 100 safras, como um legado do Vale do São Francisco”, comemora o enólogo, “em termos de comparação, é como se no Rio Grande do Sul fosse um vinhedo de 105 anos”, assegura.
Quem visita o vinhedo também se surpreende com o porte das plantas, imponentes tanto no tamanho quanto na grossura dos troncos, mas principalmente na parte aérea que cresce por cima do parreiral, a chamada espinha de peixe. “É impressionante como ela é grande. Em toda a minha vida eu não tinha visto nada parecido”, afirma o enólogo.
No Vale do São Francisco a videira recebe água e adubação o ano todo, um vinhedo bem cuidado que tende a responder por muito tempo, ainda mais tratando-se de uva vinífera, que não sofre a mesma pressão por produtividade das uvas de mesa. “Conseguiremos manter esse vinhedo, o mais antigo em produção no Vale do São Francisco, quem sabe por cem anos ou mais”, afirma o enólogo.
A programação deste ano deve reservar ainda uma novidade e tanto para os participantes. Ao lado do parreiral de Cabernet Sauvignon há um vinhedo de Chenin Blanc implantado no mesmo ano e com a mesma história de safras acumuladas: “em breve poderemos ter essa dualidade, um branco e um tinto de mais de 100 safras”, antecipa.
Quem participar do evento poderá provar o Garziera 100 Safras ainda em estágio de barrica, algo que não tinha acontecido em 2025. “Isso vai ajudar a que as pessoas entendam o grande potencial que temos aqui no Vale do São Francisco”, conclui Rodrigo Fabian.
Fotos: divulgação Garziera
Com informações da assessoria de imprensa
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