Anuário do vinho 2026: os números oficiais e a vida real

Anuário do vinho 2026: os números oficiais e a vida real

O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou o Anuário do Vinho 2026 – tendo 2025 como ano de referência – em seu site, sem divulgação alguma em função do defeso eleitoral. É a primeira publicação exclusiva para vinhos – já há edições sobre cerveja, cachaça e bebidas não alcoólicas.

A publicação de 49 páginas foi produzida a partir de bases oficiais como o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO), o Comex Stat (sistema oficial e gratuito do governo brasileiro para consulta e extração de estatísticas sobre o comércio exterior de bens), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (novo CAGED), o sistema do governo federal brasileiro usado para monitorar e divulgar as estatísticas oficiais de admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada.

Aqui algumas informações destacadas no Anuário:

– Existem 965 vinícolas no Brasil, sendo 67 de vinho colonial

Há pelo menos uma vinícola em 327 municípios brasileiros.

– Em 14 municípios brasileiros há dez ou mais vinícolas registradas.

Flores da Cunha é a cidade brasileira com maior número de vinícolas registradas, apresentando 114 estabelecimentos, o que corresponde a 19% das vinícolas gaúchas e 11,8% das vinícolas do país.

Das 14 cidades brasileiras com dez ou mais vinícolas registradas, 10 são do Rio Grande do Sul, 2 de São Paulo, 1 do Espírito Santo e 1 de Santa Catarina.

– O Brasil possui uma vinícola registrada para cada 220.066 habitantes

– O vinho brasileiro foi exportado para 85 países, alcançando todos os continentes.

O Anuário é recheado de gráficos e tabelas, produzidas a partir das fontes citadas. Importante lembrar sempre que esta publicação tem como base os dados de 2025 (na imagem acima, o número de vinícolas por unidade da federação). Em uma rápida consulta, feita a duas associações de produtores de vinho do Sudeste, por exemplo, podemos notar uma disparidade de dados – em que pese a diferença de um ano entre eles.

Marcelo Rozental, vice-presidente da Associação dos Viticultores da Serra Fluminense (AVIVA), afirma que há 30 vinícolas associadas, das pelo menos 42 em funcionamento no estado do Rio de Janeiro: “Como muitas ainda não tiveram a primeira produção, então não posso afirmar que estejam legalizadas”, pondera. A situação é diferente com as vinícolas ligadas a Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno. De acordo com a assessoria de imprensa da ANPROVIN todas as 59 empresas associadas estão legalizadas – 13 em São Paulo, 28 em Minas Gerais, 8 em Brasília, 7 em Goiás, 1 no Rio de Janeiro e 1 na Bahia.

O vinho brasileiro está em crescimento acelerado, com produção em pelo menos 18 estados, além do Distrito Federal, e notícias de novos projetos e vinícolas praticamente todos os dias. A chegada de um anuário sobre a indústria é muito bem-vinda, e pode significar uma era em que o setor passe a planejar, compor estratégias e basear tomadas de decisão em dados que se aproximam cada vez mais da realidade do vinho brasileiro.

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