Henrique Pessoa dos Santos é o novo chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho. O pesquisador assume no lugar de Adeliano Cargnin. Ao seu lado estarão os analistas Daniel Santos Grohs, na Pesquisa e Desenvolvimento; Lisiani Ritter Mesquita, na Administração e o pesquisador Marcos Botton, na Transferência de Tecnologia (foto abaixo, na ordem). A nova diretoria fica no cargo até 31 de agosto de 2028.

Internamente, o primeiro movimento anunciado é mobilizar as equipes em torno do programa de melhoramento genético, carro-chefe da unidade. “Meu primeiro ato é mobilizar as pessoas. Sem equipe, a gente não tem nada”, afirma. “Eu defendo muito uma gestão colaborativa, uma gestão onde todo mundo tem voz”. Para isso, cria dois eventos internos: o Conexão CNPUV, um workshop anual aberto a toda a equipe para alinhar resultados e prioridades, e o Degustando Ciência, uma série de encontros técnicos com convidados externos para discutir temas que fogem do dia a dia da vitivinicultura.
Henrique chegou ao posto por meio de um processo seletivo, em vaga disputada com pesquisador Luciano Gebler, de Vacaria, mais ligado à pomicultura. Pesaram a favor de Henrique os 25 anos de casa e o fato de ser o único fisiologista vegetal da unidade.
“Eu não entrei na Embrapa para ser gestor”, reconhece o pesquisador. Formado em Agronomia pela UFSM, com mestrado em Fitotecnia pela UFRGS e doutorado em Fisiologia Vegetal pela Unicamp, Henrique construiu a carreira estudando como a videira responde ao clima, ao solo e ao manejo — o que de acordo com ele molda diretamente a qualidade do vinho na taça. O pesquisador já foi chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento em dois períodos (2008-2009 e 2024-2026), soma mais de 70 artigos científicos publicados e ajudou a consolidar as Indicações Geográficas de vinho no Brasil — hoje já são 13, com Campos de Cima da Serra e Farroupilha provavelmente entre as próximas a serem confirmadas.
O plano de trabalho está organizado em três eixos interligados: transformação produtiva para resiliência climática, sanidade vegetal sob o conceito de saúde única, e diferenciação de produtos com agregação de valor. “Nós não temos de nos preparar para mudança climática”, argumenta, “já estamos nela”, sentencia. O pesquisador defende que a unidade já trabalhe com o cenário em vigor, e não como uma ameaça futura.
Entre as ações previstas estão mapas de aptidão que cruzam clima, solo e cultivar para orientar novas áreas de plantio, o uso de edição gênica para reduzir a exigência de frio de macieiras e ampliar a estabilidade de produção, e o fortalecimento do banco de germoplasma de pera.
Também estão no radar novos bioinsumos a partir da coleção de mais de 4,8 mil leveduras e micro-organismos mantida pela unidade e o avanço de ferramentas de agricultura de precisão, como o sistema MAP, um mapa de calor que indica exatamente onde tratar o parreiral, além de experimentos com rovers autônomos para manejo fitossanitário. “Pensamos em ferramentas para atrair o jovem para o campo”, diz Henrique, que também quer reforçar a certificação de mudas para conter a disseminação de problemas fitossanitários para novas regiões produtoras.
A gestão também promete mais proximidade com o setor produtivo, com dias de campo, capacitações e parcerias mais próximas de entidades como Uvibra, AGAVI, Consevitis-RS, ABE e ABS. Na área de Indicações Geográficas, tema que ajudou a consolidar desde o início da carreira, Henrique defende reunir uma equipe dedicada ao assunto: “temos que estruturar cada vez mais a nossa equipe” diz, citando a ideia de um grupo focado exclusivamente em Indicações Geográficas dentro da unidade.
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