No final de janeiro de 2024, pegamos a estrada em direção a Serra Gaúcha com o objetivo de vivenciar a vindima daquele ano. Na oportunidade visitamos três vinícolas na quais pudemos acompanhar diferentes processos: colheita, transporte da uva, desengace, início da vinificação e, pulando algumas etapas, provas de tanques, barricas e garrafas. Importante ressaltar que naquele ano sim, participamos também da colheita. Visitamos as vinícolas Vinhas do Tempo e Seis Mãos, em Monte Belo do Sul, e Altos da Pinta, em Pinto Bandeira.
Agora, dois anos depois e na mesma época do ano, voltamos a Monte Belo do Sul com a ideia de fazer algo similar: na lista de vinícolas a serem visitadas estavam Eduardo Mendonça Vinhos Livres, Vinhedos Capoani, Casa Marques Pereira (foto de topo) e Casa Ângelo Fantin diferentes perfis para entender mais os vinhos do município. A ideia era fazer algo similar: acompanhar a vindima, quem sabe participar da colheita e vivenciar o início dos processos de vinificação – mas neste ano o tempo e o clima não estavam ao nosso lado…
“A safra da uva está atrasada sim, mas ainda está dentro do esperado”, diz Mario Lucas Ieggli, “a maturação fenólica (taninos, antocianinas) está um pouco mais arrastada, comparada à maturação tecnológica (açúcares e acidez) quando falamos em vinhos tranquilos”, explica o presidente da Associação Brasileira de Enologia. “Para base de espumante, há um pequeno atraso para a uva chegar ao grau e à acidez adequada, mas até o final de janeiro, no Rio Grande do Sul, devem estar colhidas todas as uvas para base”, complementa.
No caso das tintas, diz Ieggli, a maturação é um pouco mais arrastada – polifenóis, extrato seco e taninos. “As últimas duas semanas de janeiro foram muito quentes, mas isso pode mudar repentinamente”, pondera o enólogo, “dezembro e começo de janeiro apresentaram alguns dias mais frios à noite na Serra Gaúcha e em algumas outras regiões do estado – e pelas previsões que vemos, fevereiro deverá ser assim também”, antecipa.
Com relação à quantidade de fruta, os dados da Emater/RS-Ascar, esperam uma safra de mais de 900 mil toneladas, um aumento em até 10% em relação a safra anterior. Atualmente, há mais de 42 mil hectares de parreiras destinadas à indústria no Rio Grande do Sul – 36,6 mil deles na Serra Gaúcha.
A expectativa para essa quantidade se deve às condições climáticas registradas ao longo do ciclo e aos dados de área cultivada, o que reforça o Estado como principal referência nacional da vitivinicultura.
Sobre qualidade, Ieggli é prudente: “de qualidade só vamos saber quando a uva entrar no tanque, mas os parâmetros de análise em campo indicam uma fruta bem sadia”, avalia. “Grandes safras se tornam excelentes safras depois do processo, depois disso que poderemos saber da excelência”, pondera.
Leia a matéria a seguir e conheça mais das vinícolas Eduardo Mendonça Vinhos Livres, Vinhedos Capoani, Casa Marques Pereira e Casa Ângelo Fantin.
Saiba mais sobre a (tentativa de acompanhar) colheita da uva em Monte Belo do Sul:
no feed do instagram do Brasil de Vinhos
aqui no site: Um final de semana em Monte Belo do Sul
Fotos: Lucia Porto | Brasil de Vinhos
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